Está quase na hora de rolar um dos concursos mais aguardados do ano: Com 2.700 vagas para o cargo de Soldado 2ª classe, o concurso da Polícia Militar SP/2020

Sabemos que, para muitos, o sonho de ser policial vai além da ideia de passar em um concurso público; ser policial é um sonho, até mesmo de infância, para muitos jovens que estão se preparando para fazer este concurso. No entanto, antes de pensar na preservação da ordem, nas repressões e aplicações da lei, o futuro policial precisa se preocupar em não apenas passar no concurso, mas obter uma boa colocação. E para isso, guerreiro (a), você vai ter que escrever uma redação!

A redação cobrada pela VUNESP nos últimos concursos para a PM é sempre do tipo dissertativo e aborda temas, na maioria das vezes, relacionados à própria área do concurso, como é o caso de “A proibição do consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas e o direito de liberdade individual”, tema do concurso soldado PM de 2ª classe – 2018; ou “Em nome da segurança da população, os governos devem interceptar trocas de mensagens eletrônicas pessoais?”, tema do concurso soldado PM de 2° classe – 2017. No entanto, às vezes surgem alguns temas menos relacionados, mas que são de fácil entendimento e abordam questões de ordem social e até mesmo corriqueira, como é o caso do último certame, na segunda avaliação aplicada em 2018: “A influência dos pais sobre os adolescentes na escolha da profissão”.

O que se pode adiantar, desde já, é que estes temas são muito “pé no chão”, não dão espaço para que o candidato reflita demais (viaje demais), a ideia é ser o mais objetivo possível, criando pontos de vista de que respeitem e representem a sociedade como ela é hoje. O que é certo também é que esta prova dissertativa valerá 40 pontos, ou seja, ir bem é fundamental para passar nas etapas seguintes.

Para que você fique ainda mais perto do seu sonho de PM, preparamos algumas dicas que podem ajuda-lo (a) na redação.

1. Entenda do que trata um texto dissertativo e o que fazer diante do tema

A tipologia textual exigida pela VUNESP no concurso para a Polícia Militar tem sido a DISSERTATIVA. Neste texto, o que se busca, principalmente, é a capacidade de o candidato ter um ponto de vista acerca de um tema e conseguir defendê-lo de uma forma coerente e coesa. Para facilitar esse entendimento, pode-se dizer que, diante do tema sugerido, o futuro policial terá que criar uma opinião, mais ou menos “o que eu acho disso?”, e depois, provar sua opinião por meio de argumentos, que podem ser criados por meio da pergunta “por que eu acho isso?”.

Vamos tentar de uma maneira simples: O que é mais vantajoso para quem quer entrar em forma, praticar musculação ou crossfit? Primeiro – O que acha disso? ; em seguida, pense em dois motivos que respondem à pergunta – Por que acha isso?

Claro que temas um pouco mais complexos serão explorados, mas essas perguntas serão fundamentais para organizar qualquer tema dissertativo que for cobrado.

Lembre-se de que redações-dissertativas não devem ser escritas em primeira pessoa, logo, esqueça construções como “eu acho”, “eu entendo”, e opte por “Sabe-se”, “entende-se”.

2. A organização dissertativa é fundamental para o sucesso do texto

No texto dissertativo, é fundamental respeitar uma estrutura, já que a introdução, o desenvolvimento e a conclusão – partes essenciais, precisam estar muito bem definidas e delimitadas. Imaginando que uma redação tem cerca de 25 linhas, pode-se dividi-la da seguinte maneira:

3. Veja quais são os pontos avaliados na correção da banca

Quando há redação, cada banca costuma ter seus próprios critérios de avaliação. No caso do concurso para a Polícia Militar, a VUNESP avaliará:

Resumindo: Um bom texto terá introdução, desenvolvimento e conclusão bem definidos; As ideias utilizadas terão que ser interessantes e inteligentes, mas sem fantasiar muito e as partes do texto precisam estar bem ligadas umas às outras, já que um texto é formado por parágrafos que se associam de alguma maneira.

4. Foco total nos textos de apoio

Se você já realizou concursos anteriores da PM ou já fez alguma prova do ENEM ou vestibular, sabe que, junto ao tema da redação, há alguns textos de apoio. Estes trazem visões diferentes sobre o tema, ou seja, ajudam o candidato a ter ideia de qual rumo a banca quer que ele tome no seu texto. É mais ou menos como se você digitasse o tema no google e pudesse usar os dois primeiros textos que apareceram para buscar informações.

Lembre-se de que fugir do tema é uma falta muito grave, e são os textos de apoio que ajudarão você a ter certeza sobre o que a banca quer em relação àquele tema. Outra coisa, nunca copie nenhuma parte desses textos, nem mesmo algum dado citado. No máximo, reescreva alguma parte importante com suas próprias palavras – mas não abuse.

5. Saiba quais são os itens que os corretores de redação mais gostam de ver

Tem coisas que, independente da banca, do tema ou do concurso, sempre caem muito bem em qualquer redação, como é o caso dos dados estatísticos, das citações e das referências ao passado. Os primeiros por deixarem transparecer que o candidato está muito bem atualizado e lembra-se de números importantes associados ao tema, mas sobre isso, lembre-se de que é bem importante não inventar números, se não lembra exatamente do que leu, use algo aproximado, como “cerca de 50% das mortes de trânsito ocorrem devido…”; as segundas, as citações, que são palavras de uma pessoa importante, demonstram que o candidato consegue associar o tema da redação às palavras de uma autoridade. Citar autores, artigos ou leis é de uma riqueza impar para qualquer redação, mas é sempre importante relacionar a citação com o assunto e com o argumento que está sendo defendido.

Por exemplo, digamos que em uma redação sobre “A proibição do consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas e o direito de liberdade individual”, o candidato queira citar parte do Artigo 5 da Constituição Federal: ‘A Constituição Federal/88, em seu artigo 5 afirma que “é garantido aos brasileiros a inviolabilidade do direito à liberdade”, e ao se associar com o que propõe a medida de proibir o consumo de álcool em vias públicas, percebe-se que haverá desrespeito à constituição. Entende-se, sobre isso, que se não houver desordem e prejuízo a terceiros, a medida é desnecessária e vai contra direitos adquiridos’.

Percebeu como depois da citação houve uma explicação desta diante do tema estabelecido? É assim que as citações farão com que você ganhe muitos pontos no critério conteúdo!

Quanto ao último item, as referências ao passado, trata-se do que os professores chamam de “referencial histórico”, ou seja, a capacidade de ligar um tema a algo que já aconteceu no passado. Em textos sobre preconceito racial, por exemplo, pode-se citar o apartheid ou o antissemitismo, já que foram movimentos encabeçados pelo preconceito. O desenvolvimento de argumentos com referencial histórico é parecido com o da citação: Primeira cita-se a referência e depois a associa com o tema.

6. Algumas leituras ajudarão a ter ideias e criar citações

No tópico anterior, falamos sobre a importância de usar argumentos fortes no texto, como é o caso das citações, dos dados e das referências históricas. Claro que muitas dessas informações são conhecimentos prévios do candidato, das leituras que eles fez durante a vida e da sua bagagem de conhecimento. Mas há algumas leituras mais fáceis e rápidas que podem ajudar a construir um bom banco de dados mental para falar de muitos assuntos, como é o caso do Artigo 5 da Constituição Federal, que trata “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”; também, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que tem muitas partes que servirão para defender os mais variados pontos de vista.

Outra dica: Aproveite o conteúdo que está estudando nas outras matérias para construir seu texto. As aulas de Legislação, Geografia e História serão boas aliadas nessa estratégia. Também, como falamos no início, as redações da PM têm tradição em temas que se ligam a elementos familiares à própria polícia, por isso, mantenha-se atualizado sobre este âmbito, veja qual deve ser o papel do policiar em determinadas ocorrências, por exemplo.

7. Itens que NÃO serão bem-vistos pelo corretor

Senso comum está associado com aquelas informações que todo mundo usa. E que quem quer ser aprovado deve evitar. Fuja de expressões como “nos dias de hoje” ou “na atualidade” para iniciar seu texto; além disso, tente ser objetivo e não utilizar adjetivos em demasia, uma vez que isso parece apenas “encheção de linguiça”. Outra coisa, evite provérbios, chavões ou redundâncias (elo de ligação, certeza absoluta etc). Em hipótese alguma, fuja do tema – utilize os textos de apoio para ter um norte a respeito dele.

Também, evite elementos da linguagem oral, como “tá” em vez de “está”, gírias e palavras em outra língua. Quanto a palavras rebuscadas demais, só use se souber de fato qual o significado dela e se cabe no contexto.

8. Precisa de título?

Normalmente, não! A menos que seja exigência da banca. Mas se houver a necessidade, não enfeite demais, use um título curto e que se relacione com o tema e seu ponto de vista.

9. Pratique!

Escrever bem está totalmente associado à prática. Agora, sabendo de todos os mecanismos que estão associados a uma boa redação para a Polícia Militar, tente escrever ao menos uma redação por semana. Faça diante dela, sua própria análise:

Para fechar, fica uma dica legal dos professores de Redação: Faça seu texto antes da prova objetiva. Leia os textos de apoio com atenção, anotando o que lembrar a respeito do tema, depois crie seu ponto de vista e seus argumentos, e então elabore seu texto.

Faça a prova objetiva e depois volte para passar o texto a limpo, observando erros, relendo, consertando pontos soltos. Deixar a redação para o final de tudo pode ser um problema, uma vez que você já estará cansado devido às sessenta questões da prova objetiva. Por outro lado, fazê-la primeiro não atrapalhará em nada o conhecimento adquirido para as questões de múltipla escolha.

Bons estudos!

 

 

Fonte: https://www.japasseicursos.com.br/